segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lixo: Material que se joga fora?

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Lixo: Material que se joga fora?

- Larga isso aí, é lixo!
   Quantas vezes já ouvimos alguém dizer isso? Lixo na rua, lixo de casa, de hospital... Na televisão e nos jornais, até lixo atômico já ouvimos falar. Mas, afinal, você sabe o que essa palavrinha que dizer?

   Se você pensar em tudo aquilo que joga fora todos os dias e no motivo de fazer isso, já estará certamente muito próximo de uma resposta. O que você faz com aqueles cadernos velhos que já não servem mais e apenas ocupam suas gavetas? E com as latinhas vazias de refrigerante, depois de um final se semana daqueles?
O destino é um só: Lixo!
  E agora, já deu pra entender o que é lixo? são restos de tudo aquilo que fazemos no nosso dia-a-dia, e que consideramos inútil, indesejável ou descartável. São todas aquelas coisas que já não nos servem mais.
  Se prestar atenção em tudo o que acontece ao seu redor, vai ver que nem sempre o que é considerado lixo para uma pessoa é inútil também para outra.
Nas grandes cidades, principalmente, a maior parte do que uma pessoa joga no lixo poderia ser aproveitada por outra. Dados estatísticos indicam que 95% da massa total de resíduos urbanos tem um potencial significativo de reaproveitamento, o que nos leva a conclusão de que apenas 5% do lixo urbano é, de fato, lixo.
Por incrível que pareça, cada pessoas pode chegar a produzir mais de 1 Kg de lixo por dia! você sabe o que isso representa?

Lixões

  As centenas de milhares de toneladas produzidas diariamente no Brasil ficam, em sua maioria, amontoadas em grandes depósitos a céu aberto: os lixões. Mantidos em grandes áreas, normalmente afastadas dos centros urbanos, esses lugares são completamente tomados por toda sorte de resíduos vindos dos mais diversos lugares, como residências, indústrias, feiras e hospitais.
como o lixo é mal acondicionado nos lixões, permanece livre no ambiente, ele contamina o solo e os lençóis subterrâneos de água, além de contribuir para a proliferação de insetos e ratos transmissores de doenças. Mas isso não acontece só nos lixões. Qualquer lugar em que o lixo esteja acumulado inadequadamente é propício a disseminação da mais diversas doenças. Dengue, febre amarela, disenteria, febre tifoide, cólera, leptospirose, giardíase, peste bubônica, tétano, hepatite A, malária e esquistossomose são apenas alguns exemplos.


Para onde vai o lixo?

    Nos lixões, dezenas de pessoas disputam restos que possam ser reaproveitados, garantindo o mínimo necessário a sobrevivência. Adultos, crianças e animais domésticos misturam-se aos dejetos, criando um ambiente favorável a disseminação de doenças.
    Segundo dados do IBGE de 2000, em cerca de 71,5% das cidades brasileiras com serviço de limpeza urbana, o lixo é depositado em lixões. Uma pesquisa encomendada pela Unicef em 1998 revela ainda, que há lixões em 26% das capitais brasileiras, em 73% dos municípios com mais de 50 mil habitantes e em 70% dos municípios com menos de 50 mil habitantes. E praticamente em todos esse lixões existem pessoas trabalhando, incluindo crianças.
   Segundo Dados do Unicef, em 1998 existiam cerca de 45 mil crianças vivendo e trabalhando nos lixões espalhados pelo país. De acordo com o documento do Ministério do Meio Ambiente ( Criança, catador, cidadão - experiência de gestão participativa do lixo, Unicef, "muitas das crianças nascidas no lixão são filhas de pais que também nasceram ali. São meninas e meninos de diferentes idade. Desde os primeiros dias de vida são expostos aos perigos dos movimentos de caminhões e de máquinas, à poeira, ao fogo, aos objetos cortantes e contaminados, aos alimentos podres. Ajudam seus pais a catar embalagens velhas, a separar jornais e papelões, a carregar pesados fardos, a alimentar porcos. Muitos desses meninos e meninas estão desnutridos e doentes. Sofrem de pneumonia, doenças de pele, diarreia, dengue, leptospirose. Nos lixões ficam sujeitos ainda a acidentes e a outros problemas, como abuso sexual, gravidez precoce e uso de drogas. Os adolescentes são frequentemente pais de uma ou duas crianças. grande parte das crianças em idade escolar - cerca de 30% - nunca foi à escola. O lixo é sua sala de aula, seu parque de diversões, sua alimentação e sua fonte de renda. Ganham de R$ 1 a R$ 6 por dia, mas o trabalho que fazem é fundamental para aumentar a renda de suas famílias. Vivem em condições de pobreza absoluta. Realizam um trabalho cruel. são crianças no lixo. Uma situação dramática e comum no Brasil".
  O principal motivo de milhares de pessoas optarem por esse meio de vida é a situação socioeconômica do Brasil, resultante do baixo nível de escolarização da população, da sua não qualificação profissional e da má distribuição de renda.

   E não é apenas nos lixões que a situação é muito grave. Na época das chuvas, os problemas com o lixo nas grandes cidades também aumentam consideravelmente. Bueiros entupidos por sacos de lixo e restos de muitos outros materiais não conseguem escoar toda a água e fazem com que o lixo apareça por toda parte. Com isso, grandes e desastrosas enchentes acontecem nas cidades.

   Ao longo dos anos, o lixo passou a ser uma questão de interesse global. As dificuldades são as mesmas, seja aqui no Brasil, seja lá no Japão: o destino do lixo e seu acondicionamento inadequado tem trazido graves problemas a todas as nações. Infelizmente, hoje podemos dizer que a questão do lixo é uma problemática internacional.

  Um bom exemplo é a questão do lixo atômico. Somente a central nuclear de Angra do Reis possui mais de 6 mil tambores de rejeitos nucleares em um depósito, considerado provisório desde 1981. Para onde deveria ir esse lixo todo? Ele deve ficar no Estado do Rio de Janeiro, onde foi produzido? Ele deveria ser distribuído entre os Estados que fazem uso da energia produzida? deveria ser enviado para outro País?

 
 Como você pode ver, o lixo atômico é, de fato, um problema global. Até mesmo o transporte dessa carga nuclear tem envolvido diplomaticamente diversos países. O Brasil e outras nações da América do Sul têm protestado contra o transporte de resíduos radioativos que é feito por navios britânicos ao longo da costa do nosso continente, em direção ao Japão. A companhia inglesa alega que o transporte é seguro. Todavia, já houve acidentes, como os que ocorreram com embarcações que foram construídas com projetos modernos de alta segurança, caso dos naufrágios do Titanic e do submarino russo Kursk. 

Muito provavelmente, agora você deve estar pensando: mas o que tem a ver a Química com tudo isso?
Hum... Tudo a ver!
Para resolver uma grande parte dos problemas relacionados ao lixo, bastaria que descobríssemos maneiras eficientes de reduzir, de reaproveitá-lo e de acondicioná-lo corretamente. E então: você teria alguma ideia de como fazer isso sem pensar em recorrer ao apoio da Ciência, da tecnologia e de toda a sociedade?
Através disso vemos o quanto a química é importante para ajudá-lo a compreender uma série de processos relacionados ao tratamento do lixo e também como o conhecimento cientifico e tecnológico tem contribuído  na busca de alternativas para esse problema.


Esse texto trata-se de uma cópia do livro " Química e Sociedade " da editora nova Geração páginas ( 09,10,11 e 12).

Referência: Química e sociedade: volume único, ensino médio / Wildson Luiz Pereira dos Santos Mól, (coord.). - São Paulo : Nova Geração,2005.

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